Essência do Médium – por Tenda Espírita Zurykan

Gostei muito desse texto por falar sobre muitos conceitos controversos que vemos e falamos por aí. O que realmente é necessário para um verdadeiro seareiro de Aruanda? Como ser um médium verdadeiro, capaz de, não somente canalizar as mensagens dos mentores mas, principalmente, atuar como um verdadeiro parceiro deles durante os trabalhos?

Mais um ótimo tema para discutirmos.

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As Umbandas dentro da Umbanda – por Renato Guimarães

Uma das coisas que mais confunde sobre a Umbanda é o porque de tantas diferenças entre os terreiros. O Renato Guimarães fez um estudo excepcional sobre as várias “Umbandas dentro da Umbanda” e criou uma classificação própria que é muito esclarecedora.

Apesar de não ser uma classificação oficial, serve para aprendizado, não apenas sobre a nossa querida Umbanda, mas sobre respeitar as diferenças. Afinal, o que importa é o objetivo final de amor, humildade e caridade.

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Umbandas – Por Alexandre Culmino

Há quem defenda um “tipo ideal” de Umbanda, descartando outras formas de praticá-la. Assim uns reconhecem e outros negam as várias Umbandas, aceitam ou refutam a “Umbanda do Outro Umbandista”.
Creio que podemos trilhar um caminho do meio, no qual a Umbanda é uma na essência com diversas formas de manifestação.
O UM da Unidade e a BANDA da Diversidade. O Uno e o Verso deste Universo Umbandista.
A liberdade litúrgica permite certas variantes, desde que estas não desvirtuem seus fundamentos básicos. A pluralidade deve existir enquanto não coloca em risco a unidade.
Por unidade podemos entender seus  fundamentos básicos, o que deve estar presente em todas as formas ou pelo menos na maioria delas. Portanto é pela unidade que definimos Umbanda e não pela diversidade, que são as diversas maneiras de praticar esta unidade, os as partes deste TODO.
Por exemplo, podemos ter como fundamento básico de sua unidade a definição de Umbanda, primeira, dada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por meio de seu médium Zélio de Moraes, em 1908: “Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade”. Esta definição está em sua unidade, pois faz parte de seus fundamentos básicos, não cobrar pelos trabalhos, logo ela pode ter variantes mas nenhuma das tais deve apresentar-se cobrando para realizar trabalhos espirituais.
Assim como é fundamento: Aprender com quem sabe mais e ensinar com quem sabe menos. Umbanda é Amor, Fé e caridade. Conceitos, também, do Sete Encruzilhadas.
Guardando esta Unidade muitos assumem para si um posicionamento dentro da pluralidade, se auto qualificando, vejamos abaixo um pouco desta diversidade:

UMBANDA BRANCA:

O termo pode ter surgido da definição de Linha Branca de Umbanda usada por Leal de Souza, primeiro autor umbandista e médium preparado por Zélio de Moraes. A idéia é de que a Umbanda era uma “Linha” do Espiritismo ou uma forma de praticar Espiritismo.

UMBANDA PURA:

Conceito usado no Primeiro Congresso de Umbanda em 1941, adotado pelo o grupo que assumiu esta responsabilidade e lutou pela legitimação da religião na década de 40.

UMBANDA POPULAR:

É a prática da religião de Umbanda sem muito conhecimento de causa, sem estudo ou interesse em entender seus fundamentos. É uma forma de religiosidade na qual vale apenas o que é dito e ensinado de forma direta pelos espíritos. O único conhecimento válido é o que veio de forma direta em seu próprio ambiente ritualístico, dentro de seu terreiro.

UMBANDA TRADICIONAL:

Serve tanto para identificar a “Umbanda Branca”, “Umbanda Pura” ou “Umbanda Popular”. Que são as formas mais antigas e conhecidas de praticar Umbanda, muito embora este perfil esteja mudando.

UMBANDA ESOTÉRICA OU INICIÁTICA:

É uma forma de praticar a Umbanda fundamentada no esoterismo europeu. Foi idealizada com inspiração na obra de Blavatski, Ane Bessant, Saint-Yves D’Alveydre, Leterre, Domingos Magarinos, Eliphas Levi, Papus e etc. O primeiro autor que trouxe este tema para a literatura umbandista foi Oliveira Magno, 1951, com o título A Umbanda Esotérica e Iniciática.

UMBANDA TRANÇADA, MISTA E OMOLOCÔ:

Umbanda com maior influencia dos Cultos de Nação ou Candomblé. Alguns chamam esta variação de Umbandomblé. O autor, médium, sacerdote e presidente de Federação que mais defendeu esta forma de praticar umbanda foi o conhecido Tatá Tancredo. Autor de Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951, em parceria com Byron Torres de Freitas.

UMBANDA DE CABOCLO:

É uma variação de Umbanda onde prevalece a presença do caboclo, acreditando que a Umbanda é antes demais nada a pratica dos índios brasileiros. Decelso escreveu o título Umbanda de Caboclo para explicar esta forma de Umbanda.

UMBANDA DE JUREMA:

Forma combinada com o Catimbó Nordestino. Seu principal fundamento é o uso da Jurema Sagrada, como bebida e também misturada no fumo. Deste culto, a Umbanda herdou a manifestação do Mestre Zé Pelintra,que pode vir como Exu, Baiano, Preto-Velho ou Malandro.

UMBANDA CRISTÃ:

Ao dizer qual seria o nome do primeiro templo da religião, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque “assim como Maria acolheu Jesus da mesma forma a Umbanda acolheria os filhos seus”, o Caboclo das Sete Encruzilhadas já dava uma diretriz cristã a nova religião.
Jota Alves de Oliveira escreveu um título chamado Umbanda Cristã e Brasileira: A Orientação Doutrinária do evangelizado Espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas nos levou a considerar e historiar seu trabalho enriquecido das lições do evangelho de Jesus, com a legenda: Umbanda Cristã e Brasileira.[1] Outro elemento que endossa a qualidade cristã da Umbanda é o arquétipo dos Pretos e Pretas-velhas, são ex-escravos batizados com nomes católicos e que  trazem muita fé em Cristo, nos Santos e Orixás.

UMBANDA SAGRADA OU UMBANDA NATURAL:

Quando começou a psicografar e dar palestras, Rubens Saraceni sempre fazia questão de se referir à Umbanda como Sagrada. Não havia intenção de criar uma nova Umbanda, apenas ressaltar uma qualidade inerente à mesma. Na apresentação de seu primeiro título doutrinário Umbanda – O Ritual do Culto à Natureza, publicado em 1995, afirma que o livro em questão guarda uma coerência bastante grande, o de trilhar num meio termo entre o popular e o iniciático, ou entre o exotérico e o esotérico. Já no Código de Umbanda, no capítulo Umbanda
Natural, cita: Umbanda Astrológica, Filosófica, Analógica, Numerológica, Oculta, Aberta, Popular, Branca, Iniciática, Teosófica, Exotérica e Esotérica. Para então afirmar que: Natural é a Umbanda regida pelos Orixás,que são senhores dos mistérios naturais, os quais regem todos os pólos umbandistas aqui descritos. Muitos optam por substituir a designação de “Ritual de Umbanda Sagrada”, dada á Umbanda Natural […] Fica claro que para o autor a Umbanda é algo natural e sagrado, adjetivos que se aplicam ao todo da Umbanda e não a um segmento em particular. Nolivro As Sete Linhas de Umbanda volta a citar as várias “umbandas” e comenta que na verdade, e a bem da verdade, tudo são segmentações dentro da religião Umbandista […]

QUALIFICAR OU NÃO QUALIFICAR?

Há ainda outras qualificações e até a Umbanda deste ou daquele. Por mais válidos que sejam os adjetivos e qualificações, por mais que se auto afirmem ser “a verdadeira” Umbanda, a “Umbanda Pura”, original ou primordial. Nenhuma destas partes dá conta do TODO. Pela “parte” não se define o “todo”, no entanto, pela “unidade” se busca uma “essência”, um fundamento e base. Esta unidade é a sua base fundamental. É possível, também, praticar Umbanda, livre de qualificações basta dizer “Sou Umbandista” e ponto final.

Este texto é parte do livro “História da Umbanda”, lançado em Agosto de 2010, na Bienal do Livro em São Paulo, pela Editora Madras. Aqui o texto foi editado e adaptado para o Jornal de Umbanda Sagrada.

Fonte: Culmino, Alexandre. Umbandas. Jornal de Umbanda Sagrada. Ano X. Nº 122. Julho de 2010. p.8-9

Pontos da Casa de Jurema – Iemanjá e Jurema


Iemanjá


Brilhou, brilhou, brilhou, brilhou no mar, 
o manto da Nossa Mãe Iemanjá. 
Brilhou, brilhou no mar, 
o manto da Nossa Mãe Iemanjá! 
Ô sereia, sereia,
Ô sereia que nada no mar.
Ô sereia que nada no mar,
Ela é filha de Iemanjá.
Eu sou filho de Yabá,
Yabá é minha mãe.
A Rainha do tesouro,
E Adofiaba no fundo do mar.
Adofiaba no fundo do mar,
Adofiaba no fundo do mar.
Soltei o barco n’água para navegar,
Pedi licença primeiro à nossa Mãe Iemanjá.
Iemanjá, Iemanjá, Iemanjá.
Quem manda nas águas verdes
É nossa Mãe Iemanjá.
Odofiaba! É no fundo do mar.
Odofiaba! É no fundo do mar.

Cabocla Jurema


Eu vi as sete rosas brancas,
No colo de Mamãe Iemanjá.
Eu vi uma Cabocla de Pena.
Era Mamãe Jurema nas ondas do Mar.
Jurema, Jurema
Jurema, filha de Tupinambá
Jurema, Jurema 
Jurema, filha de Tupinambá.
Jurema quando saía da aldeia,
Saía na Lua nova, voltava na Lua Cheia.
Com os braços carregadinhos de flores.
Oh, Meu Deus!
Quantos amores pros filhos da Jurema.
Ô, Juremê! Ô, Juremá!
Na sua aldeia ela é Jurema,
É a mais linda cabocla de pena.
Na sua aldeia, lá na Jurema,
Não se faz nada sem ordem suprema.
Quando tem festa lá na sua aldeia,
Até a Lua vem iluminar.
E os seus filhos com muito amor,
Mamãe Jurema eles vêm saudar.
Eu vi Jurema brincando com as estrelas.
Estrela D’Alva iluminando o reino dela.
Ela vem das matas, onde brilha o luar.
Salve a Jurema,
Salve Oxum, salve Iemanjá.