Fé raciocinada – Por Rogério Coelho

Esse texto me foi apresentado por um irmão da Casa e nos ajuda a refletir o quando é importante a razão perante a nossa Fé. Questionamentos, inquietações, dúvidas nos auxiliam na consolidação da Fé segura e da Humildade.
A prática religiosa visa promover o desenvolvimento intelectual e espiritual, especialmente no caso das religiões mediúnicas.
Se hoje vemos tantos textos falando sobre a importância da mediunidade consciente na Umbanda como recurso essencial para o aprendizado e desenvolvimento do médium, através da interlocução entre mediador e entidade e mediador, entidade e assistente, precisamos observar que isso não é por mero acaso. A evolução que temos da mediunidade inconsciente para a mediunidade consciente, que abriu espaço para essa parceria, já indica que o médium é participante ativo da Umbanda e não mais um meio de comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material.
Nesse contexto não cabem mais as verdades absolutas e inquestionáveis. Porque é através do diálogo, das dúvidas e das inquietações que ambos evoluem.
Finalmente o texto!

Joanna de Ângelis esclarece que “para legitimar-se, a fé se deve consorciar com a razão que elucubra e analisa, passando pelo crivo da argumentação lógica tudo o em que se crê.”

O Espiritismo postula (2): “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.”

Deve-se o declínio da influência das religiões da atualidade, com o conseqüente incremento dos despautérios morais de vária ordem, ao fato de estarem essas mesmas religiões atreladas a dogmas ancilosados que atentam contra os mais comezinhos princípios da lógica e da razão, bem como permanecem subjugadas pela avidez de conquista horizontais, puramente materialistas e pela ânsia de dominação e de poder temporal de seus líderes aferrados a ambições diametralmente opostas da verdadeira missão de consolar, instruir e regenerar Almas, fazendo-as gravitar para Deus.

Esclarece o Mestre Lionês:

“Dá-se com os homens, em geral, o que se dá com os indivíduos em particular. As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina.   Mas, o que a prudência manda calar momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade. Tendo-lhes outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do Céu, eles tratam de raciocinar sobre a sua fé. É então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé.”

No item seguinte afirma (3):

“Se pois, em sua previdente sabedoria, a Providência só gradualmente revela as verdades, é claro que as desvenda à proporção que a Humanidade se vai mostrando amadurecida para as receber.  Ela as mantém de reserva e não sob o alqueire.  Os homens, porém, que entram a possuí-las, quase sempre as ocultam do vulgo com o intento de o dominarem. São esses os que, verdadeiramente, colocam a luz debaixo do alqueire. É por isso que todas as religiões têm tido os seus mistérios, cujo exame proíbem. Mas, ao passo que essas religiões iam ficando para trás, a Ciência e a inteligência avançaram e romperam o véu misterioso…

Tudo o que se acha oculto será descoberto um dia e o que o homem ainda não pode compreender lhe será sucessivamente desvendado, em mundos mais adiantados, quando se houver purificado. Aqui na Terra ele ainda se encontra em pleno nevoeiro.”

Diz-se que a fé se vai; e com razão, pois realmente a fé que se vai é justamente a fé cega, aquela que colide com a evidência e a razão; aquela que aceita tudo sem verificação; aquela que gera o fanatismo, quando exacerbada e levada ao excesso nos desdobramentos da ignorância.

Dá atestado de impotência de argumentação todo aquele que preconiza a fé cega sobre um ponto de crença, vez que falecem-lhe os meios de demonstrar que está com a razão.

A LEGÍTIMA  ACEPÇÃO  DE  FÉ (4)

“A fé sincera e verdadeira, é sempre calma; faculta a paciência que sabe esperar, porque, tendo o seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao objetivo visado. A fé vacilante, ao contrário, sente a sua própria fraqueza; quando a estimula o interesse, torna-se furibunda e julga suprir, com a violência, a força que lhe falece. A calma na luta é sempre um sinal de força e confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo.

Cumpre não confundir a fé com a presunção.  A verdadeira fé se conjuga à humildade; aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. A presunção é menos fé que orgulho, e este é sempre castigado, cedo ou tarde, pela decepção e pelos malogros que lhe são infligidos.”

Continua Kardec com seu raciocínio lúcido e cristalino (2):

(…) A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E para crer não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender.

A fé cega já não é deste século, tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode, com verdade, dizer que não se prescreve.

Não admitindo provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá nascimento à dúvida. A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu.  Eis por que não se dobra.

A esse resultado conduz o Espiritismo, pelo que triunfa da incredulidade, sempre que não encontra oposição sistemática e interesseira.”  

Bibliografia:

1. KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 121.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. XXIV, item 4. 
2. Idem, ibidem, cap. XIX, item 7.
3. Idem, ibidem, cap. XXIV, item 5.
4. KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 121.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. XIX, itens 3 e 4.
 

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